Sunday, June 22, 2008

Do widzenia!


No final há sempre uma confusão de sentimentos, um turbilhão de emoções. Principalmente para os loosers que ficam até ao fim e têm a sorte de ver todos os outros partir. Infelizmente, é o meu caso. Ainda assim, a minha táctica de evitar levas de despedidas colectivas tem-me valido... mais ou menos. É triste ver as residências vazias e silenciosas. E ainda mais angustiante olhar para os quartos abandonados e despidos. Chega a ser degradante tropeçar na papelada largada pelos corredores, enquanto não é despejada no lixo.
Mas foi um bom ano. Duro, mas bom. Intenso, mas rico. Veloz, mas inesquecível.
Como consegui? Virei-me do avesso enquanto fazia o pino e saltava ao pé cochinho com a mão! Tudo é possível.
Agora, terminou e aquilo que ficou para trás será pura recordação - ou, no meu caso, matéria-prima para mais memórias, vivências e miragens!
Por enquanto, é o fim deste amendoim. Venham os Bálticos, a Rússia e outros aperitivos saborosos!

Thursday, June 19, 2008

D Day

Cerimónia de encerramento.
Discursos, prémios, aplausos, conselhos e votos de boa sorte. Senti-me... esperançosa.
Acto contínuo, almoço nos jardins do Palácio, com quarteto ao vivo. Senti-me... privilegiada.
Última actuação do coro. Última entrega de prémios do concurso de fotografia. Última foto da promoção Politkovskaya & Dink. Distribuição do Year Book e primeiras lágrimas. Senti-me... nostálgica.
Primeiros entulhos empacotados e enviados. Avaliação e notas avidamente recebidas e assimiladas. Senti-me... aliviada.
Última festa no BarRosso's. Vodka à discrição e primeiras despedidas. Senti-me... angustiada.

Wednesday, June 18, 2008

Chez Milenka


A pretexto de uma soirée em casa da Milena, passámos pelo campo de exterminação de Treblinka. Exterminação e não concentração porque aqueles que para lá eram enviados só tinham um fim possível. Tudo ficou destruído no final da Guerra, pelo que hoje, quem por lá passa depara-se apenas com restos de fundações e muros, relva, pedras e monumentos simbólico-memoriais. Mesmo com a ajuda das tabuletas, só com esforço e concentração é possível imaginar e reconstituir os factos. Melhor assim.

Já de noite, o calor não chegou só através da fogueira, mas estava entranhado nas paredes de madeira, nos pierogui caseiros, no som do acordeão, nas memórias de infância reavivadas com a coreografia dos "passarinhos a bailar", no vodka, na casa assombrada, nos gatinhos, nos coelhinhos, até no cão, na sessão fotográfica ao pé das roseiras... enfim, no sorriso e boa disposição dos Łukasiewicz!

Tuesday, June 17, 2008

Krakow i Wroclaw


Sempre se confirma que quando as expectativas são demasiado altas, as probabilidades de desilusão são quase certas - e vice-versa. Foi o que aconteceu em Cracóvia e Wroclaw, que posso comparar a Florença e Bolonha, respectivamente.
Cracóvia é cidade de turístas, tem coisas bonitas, como por exemplo as minas de sal de Wieliczka, património histórico, como Auschwitz, e muito âmbar para vender. Mas é Wroclaw que têm espírito, que transpira a séculos de história por todo o bairro gótico, Universidade incluída; que é realidade, por ser velho e gasto, e, ao mesmo tempo, fantasia, local encantado protegido por duendes liliputianos que espreitam a cada esquina.

Friday, June 13, 2008

Trójmiasto & Não


Da "tricidade" ficámos a conhecer Gdansk & Sopot.
A primeira, cidade histórica à beira mar plantada, floresce e enriquece enquanto zona portuária e é o berço inconfundível do movimento Solidarność: a imagem tantas vezes revisitada é a dos operários vigilantes nos estaleiros a descansar sobre pedaços de esferovite.
A segunda é uma espécie de estância balnear. É curioso o facto de se ter de pagar "entrada" para passear no pontão, assim como se paga bilhete para ir ao museu ou para assistir a um espectáculo exótico. É assim que se vê que o mar não é para todos. Foi aqui que, pela primeira vez, molhei os pézinhos no Mar Báltico! A bem dizer, a coisa deu-se mais por acidente do que por qualquer outro motivo, já que o tempo estáva bera e não convidava ao veraneio. Mas, claro está, tinha de conseguir a proeza de levar com aquela que foi talvez a única onda da mês, já que estas águas são tão ou mais paradas que as do Mediterrâneo!

Por água abaixo foi também muito boa teoria, neste dia marcado pelo NÃO Irlandês. Quantas mais ondas por aqui não virão!...

Wednesday, June 11, 2008

Polska biało czerwoni


Partida: 6:45 da manhã. Destino: Rio Biebrza. Um dia em cheio esperava-nos no meio da natureza. Caiaque foi a actividade eleita. Já de colete e remos na mão, ouve-se a pergunta: "Isto demora quanto tempo?". Alguém responde "quatro horas". Quatro quê???? Tarde demais, eu e a Irina já seguíamos juntas pelo rio acima.
A viagem aos "esses" por entre a vegetação aquífera e contra o vento foi um autêntico descalabro. Concorreu para a desgraça total não só a ligeireza dos dois corpos, como também as incertezas em relação ao percurso a seguir cada vez que nos deparavamos com uma bifurcação. A aventura acabou por terminar não quatro, mas três horas depois, quando decidimos ser resgatadas por um pescador que, se ainda nos confortou em relação ao percurso (a técnica do an-do-li-tá sempre funciona), destruiu-nos toda esperança de atingir a meta, quando nos informou que "lá para a meia-noite, talvez..." (eram 6:00 da tarde e tínhamos feito 1/4 do percurso).
A preocupação, agora que estávamos a salvo, era resgatar os outros, que certamente estariam a desesperar, após horas e horas a remar sem fim à vista, quem sabe até mesmo, seguindo o caminho errado, e vendo a noite cair. Lá seguiu então uma equipa "profissional" de salvação.
No final, ninguém se perdeu, mas também ninguém chegou ao fim: o passeio acabou por ser abortado junto do parque de campismo.
Identificadas as bolhas nas mãos, proferidos os insultos e aplacada a revolta, queríamos duche e cama. Mas o melhor que se conseguiu foram uma gotas de água fria e a fogueira para aquecer depois de descobrirmos que os bangalôs prometidos eram umas barracas feitas de paus e corrente de ar.

Apesar da noite em branco, o dia seguinte chegou e tínhamos que estar frescos para celebrar a segunda parte do Dia Nacional Polaco. Primeiro, uma polka dançada em trajes do século XIX. Depois, o jantar no jardim em estilo summer light. Por fim, um casamento polaco típico, com carro típico, comida típica, banda musical típica... até mesmo noivos típicos.

Tuesday, June 10, 2008

Warsaw uprising













O museu fez-me luz acerca de alguns dos traços mais característicos da sociedade polaca.
A presença da Segunda Guerra Mundial é uma constante. É como se tivesse acabado ontem. Toda a gente tem um familiar ou outro que de alguma forma foi afectado pelo conflito: o avô que foi morto pelos raides, o primo que emigrou para os EUA, a mãe que nasceu em Auschwitz... A população foi esmagada pelo sofrimento.
E, depois, finalmente, quando o terror acabou, a libertação chegou sob a forma de mais opressão. O país foi sufocado pelo exército vermelho. A identidade polaca manteve-se agarrada às saias de Moscovo durante mais de 40 anos. Era impossível crescer sob tamanho paternalismo. De tal forma, que ainda hoje vive a sua infância, num esforço contínuo para aprender a andar sozinha.
Não admira que, numa sociedade tão visivelmente perturbada por estes acontecimentos históricos recentes, a memória tenha um papel fundamental e seja o instrumento político de eleição.

Friday, June 6, 2008

Flor de estufa

Os meus planos para estes primeiros dias de liberdade passavam por programas culturais intensísimos! Museus, para começar. Mal sabia eu que depois de vários meses desconectada da vida real, a adaptação iria custar. Admito que o máximo que consegui foi uma tarde passada no shoppping e outra no cinema.

1ª tentativa:
A ideia era ir ao Museu Nacional. Apesar dos próprios polacos me terem dito que não valia nada, caramba!, um museu nacional há de ter qualquer coisa, nem que seja um Caravaggio ou uma cópia muito boa de um Caravaggio, vá! Não contente com a informação do guia da American Express (acho que só mesmo as crianças de 5 anos é que ficam contentes com a informação do guia da American Express - pelo menos eu quando era pequenina gostava de livros de bonecos), fui ver ao site o horário, o preço, etc. Óptimo, 5ª feira é gratuito e fecha às 19h! Porque raio então é que à entrada do museu estava um aviso, em letras microscópicas, a indicar que a partir de Abril o museu fechava às 16h? O pior é que nem deu para refilar, já que à porta estava um marmanjo que era a cara do guarda Serôdio d' "Os Amigos do Gaspar", que abanava a cabeça, agitava os braços, apontava para o relógio e, claro, não falava Inglês. Mais um ponto, portanto, a favor dos polacos e do seu know how turístico: já ouviram falar em época alta? Horário de Verão? E que tal actualizar o site? Bem sei que só estamos a falar do Museu Nacional, mas era um favorzinho muito útil que faziam aos palermas, como eu, que tendem a confiar nas novas tecnologias. Web designers, este é o país dos vossos sonhos!

2ª tentativa:
Desta vez, o objectivo era o Museu da Revolta de Varsóvia. Confirmados e reconfirmados o horário e a localização com colegas que já lá tinham estado... prefiro nem avançar muito nos pormenores do que então se sucedeu, tal é a vergonha de ter de admitir que não conseguimos lá chegar. Como é que pessoas com dois dedos de testa, munidas de mapa e na posse dos números exactos dos trams que levam ao destino pretendido se ficam pelo caminho? A resposta será qualquer coisa como: para apanhar o tram é preciso primeiro encontrar a paragem do tram. E digamos que o provérbio "quem tem boca vai a Roma" não serviu de muito, sobretudo porque está associado ao outro que diz "em Roma sê Romano" e isso já é demais para uma situação em que: i) quem pergunta não fala polaco; ii) ainda que quem pergunte consiga efectivamente perguntar alguma coisa em polaco, não irá, certamente, perceber a resposta que recebe em polaco; iii) quem é perguntado não fala Inglês (nem vale a pena fazer pontaria para os jovens); iv) os que são perguntados e que, por milagre, falam Inglês, não sabem onde é o museu, claro! A isto acresce a desorganização que é a rede de transportes públicos que serve a cidade.

Confesso que o que mais me entristeceu nem foi tanto perder os museus em si, mas aperceber-me que, depois de tanto tempo, não sou mais do que uma simples turísta em Varsóvia - e ainda por cima uma turísta reles! Enfim, a sugestão de "para a próxima apanhamos um táxi à porta do colégio" evocou-me a imagem de uma flor de estufa que recuso ser.

Desejem-me boa sorte amanhã para o concerto de Chopin no Parque Lazienki!

Thursday, June 5, 2008

É finita!

Último exame!!

Acabaram-se as horas sentada à secretária, presa aos livros, acorrentada aos apontamentos e aos slides de powerpoint.
Chegou a hora de empacotar tudo e dar um merecido descanso à chaleira eléctrica.

Terminou também o "arrastanço" que caracterizou esta última sessão de exames: as fugas ao supermercado, as sestas imprevisíveis, os banhos de sol improvisados... enfim, o adiamento sucessivo do inevitável.
A partir deste momento, a procrastrinação deixa de ser um meio e passa a ser um fim em si mesmo.

Monday, June 2, 2008

Nargis

Hoje de manhã tive de dar uma lição de Direito International àqueles senhores vestidos de verde que pretendem governar Myanmar. Tive de lhes dizer (e já agora também ao Prof. que vai corrigir o exame) que não é assim que se faz, que a soberania do Estado não é absoluta e que existe uma coisa que se chama responsabilidade de proteger.
Ora, sabemos bem o que é que se quer proteger quando se avança com um referendo de alteração à Constituição (coisa pouca, portanto!) no rescaldo de um fenómeno que já é considerado uma das maiores catástrofes naturais deste século: não serão, certamente, os cidadãos, quanto mais o direito à vida.
Tudo bem, admito que enviar navios de guerra com mantimentos não será a forma mais simpática de prestar ajuda humanitária. Mas há que perceber que quando se concede um visto a um agente da Cruz Vermelha não se está a deixar entrar no país nem um soldado, nem um espião, nem mesmo um Bush com a missão de impôr a democracia, mas tão só um profissional apto a aliviar o sofrimento daqueles a quem não restou nada para além da própria vida.

Saturday, May 31, 2008

Encore une fois?!

L'Europe peut'elle définir une politique commune à l'égard da la Russie et à partir de quels principes?

Haverá alguma energia cósmica a empurrar-me para a Russia?? Será um buraco negro onde cairei enexorável e implacavelmente ou uma luz divina pela qual entrarei triunfante e vitoriosa no reino da aventurança? Para dizer a verdade, nenhum dos dois cenários me soa lá muito bem... O que vale é que a realidade não é preta ou branca, tipo Bush, mas mais para o cinzento, estilo Obama.
Era importante tirar todas as dúvidas e pressentimentos antes de me meter num avião a caminho do ex-império soviético, não? Por isso, aqui fica o desabafo - e já agora também a convicção de que qualquer semelhança da pergunta do exame com posts anteriores é pura coincidência.

Tuesday, May 27, 2008

Bumbox

Boa,
é a três semanas do final do ano lectivo, depois de chegar de uma aula de samba encharcadinha em suor, que me apercebo que andei a viver como uma múmia!!

Lucky bastard!

Two down, three more to go!

1. Describe EU aid policy.
2. Is there a EU strategy towards developing relations with Russia?

Sim, sou aquilo que os britânicos definiriam como uma "bastarda sortuda"!

Sunday, May 25, 2008

Bipolar

Ao cabo de 9 meses, aproximando-se o fim, sou invadida por sentimentos mistos: estou cansada do trabalho, já não posso com a comida, sempre as mesmas caras, as mesmas piadas, até o quarto me irrita; mas já só falta um mês, há que aproveitar todos os momentos, as pessoas, o convívio, fazer o esforço final para os exames, embarcar nas viagens tão ansiadas ao longo do ano...
Conclusão: ando com um humor perfeitamente esquisofrénico.
Só para dar um exemplo, ontem fui enérgica e produtiva: fiz, finamente, o visto para a Rússia e passei o resto do dia a estudar afincadamente na Biblioteca Central; hoje fui preguiçosa e diletante: acordei já passava das 11h e terminei a ver o Festival da Eurovisão, com os espanhois a dançarem chikichiki.

Thursday, May 22, 2008

Basta!

...quero ir para casa AGORA!

Tuesday, May 20, 2008

Boring!...

Tudo fazia crer que a Primavera tinha vindo para ficar: o sol e o verde da relva, as flores e o pólen no ar, até o pingo da alergia no nariz. Mas foi alarme falso. Nos últimos dias o tempo fechou, o céu encobriu-se, a atmosfera pesa. A sensação é quase de clima tropical: temperatura amena, nuvens cinzentas, rajadas de chuva e trovoada.
Por causa disto, segundo me disseram, ando feita num zombie. Arrasto-me pelos livros, bocejo a cada palavra, fecho os olhos, abro os olhos, volto a fechar, até que me abandono ao sono sentada à secretária... Os chás de nada me valem.

Saturday, May 17, 2008

Estudar é divertido!

Laughter at the Euro-Armys' expense

We are the Euro-army
The fighting force of today
We work together, take orders in English
that is, except les Français

We'll fight alongside the Germans
If we ever go to war
And if the image seems kind of familiar
Well, we've fought 'with' 'em one or two times before

We're working out rules of engagement
Addressing all our members' fears
And soon we'll be ready for battle
In only nine or ten years

So join in the Euro-army
From no conflict will we baulk
So come on you Spanish, Italians and Belgians
Ready!
Aim!
Talk!

Friday, May 16, 2008

Russisses

Sem querer ofender ninguém em particular (o Denis que me desculpe...), estou a começar a ficar com uma imagem muito tremida dos russos. E ainda nem sequer lá cheguei!

O Visto
Consultámos o site e a Natália, que fala russo, deu-se ao trabalho de telefonar para a embaixada para confirmar os documentos necessários: formulário preenchido em duplicado, passaporte, duas fotos tipo passe e declaração do hostel (a dizer qualquer coisa que não percebo, porque está em russo, mas que será provavelmente a confirmação de que não somos nem indigentes nem espiões - seja como for, diz de certeza algo muito importante que custou 30 euros a cada um de nós).

A Embaixada
Um mega-palácio ao estilo imperial romano-colonial, que, pelos vistos, deve estar atulhado de presentes do Estaline, já que o povo faz fila cá fora, na rua. Um intercomunicador de primeira geração estabelece a ligação lá para dentro.

A Mediadora
Não demorou muito a chegar mal deu por um grupo de "estranjas". Começou a distribuir panfletos e a dizer qualquer coisa em polaco que lá fomos percebendo.
Suplise
#1: afinal havia mais um documento mistério que precisávamos para o visto: o seguro de saúde! Onde é que eu já vi destas surpresas à última da hora?? Até aqui nada de novo.
Suplise #2: Estávamos salvos! Por mero acaso, do outro lado da estrada, mesmo à frente da embaixada, há uma agencia mediadora que trata de toda a papelada necessária para tirar o visto (são os privilegiados que podem ir para lá do intercomunicador). Co' a breca! Que raio de coincidência!!

A Madonna
Chegados à agência, fomos atendidos, nem mais nem menos, pela Madonna! Claro, a Madonna parada nos anos 80, cabelo amarelo, mini-saia apertada, camisola largalhona, só lhe faltava a cruzinha no brinco.
Suplise #3: o nosso cartão de estudante caduca exactamente um dia antes de passarmos a fronteira. Deixamos de ser estudantes na Polónia e passamos a ser meros turistas. Ora, como turistas não podemos pedir o visto na Polónia, mas só no nosso país. Então e agora?...

O Vinho
...agora, diz a Madonna, pegam numas garrafas de vinho e oferecem-nas a alguém lá da vossa faculdade para que vos passem uma carta a dizer que para o ano continuam a estudar cá, estão a perceber?? Mas isso não é verdade!, digo eu (santa inocência que eu não aprendo!), ao que ela me olha como se eu fosse uma extraterrestre, e continua: eu também estudei cá, e sei que há formas de contornar os problemas, estão a ver??, enquanto fazia movimentos ondulantes com as mãos.

O Erro crasso
Pois é, minha Madonna meets Dolly Parton ou o que seja, a questão é que estamos na Polónia. Aqui o vinho não nos leva a lado nenhum, ainda não aprendeste isso, não?? Vodka, minha cara, vodka é que é!

Tuesday, May 13, 2008

Brain drain

Eram 13:00h quando me dirigi ao Rectorate para entregar o mais puro néctar do meu cérebro espremido durante as últimas quatro semanas. Entre a minha e outras teses, não ficou mais cérebro para drenar. Em compensação, os nervos sobejavam...
Mas enquando estes foram afundados no calor da noite, pela festa que começou num tram e terminou num clube dos anos 70, do cérebro, esse, só espero tenham sobrado um ou dois neurónios para me ajudar a ultrapassar os cinco exames que se avizinham durante as próximas três semanas...

Friday, May 9, 2008

Dia da Europa


9 de Maio. Dia da Europa.
Há 58 anos atrás, Schuman propunha "colocar o conjunto da produção franco-alemã do carvão e do aço sob o controlo de uma alta autoridade comum, numa organização aberta à participação de outros países da Europa". Detalhes económicos à parte, algures nessa Declaração dizia-se qualquer coisa como "porque a Europa não estava cumprida, cumpriu-se a Segunda Guerra Mundial". Ora, se a Europa consegue evitar Segundas Guerras Mundiais, eu digo Sim à Europa e torno-me já Europeia, hoje e para sempre! Mas o "se" permanece...

Para comemorar o dia, o Colégio fez... nada! Não se percebe, durante todo o ano enchem-nos de conferências, seminários, palestras, workshops, encontros informais, concertos e quando chega o Dia da Europa calam-se! Nem uma comidinha melhor na cantina, nada! É um escândalo! O mais certo é terem receado um boicote massivo de uma comunidade estudantil que está à beira de um ataque de nervos, com o dia de entrega da tese a aproximar-se a passos largos...

Ainda assim, houve tempo e criatividade para algumas brincadeiras. Mal passou a meia noite, a Agata foi levada em ombros até ao templo por quatro touros esbeltos e dominadores, naquilo que foi uma encenação perfeita do rapto de Europa. Depois do almoço, as crianças divertiram-se a passear as bandeiras dos 27 Estados Membros pelo jardim, ao estilo de sessão fotográfica.

Status: 25.173 palavras (2 dias e meio)

Thursday, May 8, 2008

Vitória!!!!

E num rasgo de inspiração só, que não permitiu sequer uma pausa para o almoço, terminei com a agonia, o desespero, as noites mal dormidas, o humor mal encarado. Agora já me posso rir às gargalhadas daquele cantor dos anos 80 que dizia "words don't come easy to me"!

Como seria bom que outras outras agonias e desesperos, esses, sim, de vida ou morte, passassem como se passa a escrever uma tese. É que aqui tudo depende de quem escreve, é só a força de vontade de uma pessoa que conta. O resto é paciência.

Venham agora as formalidades que confirmam a Lei de Pareto: aquela fatia de 80% do tempo que se gasta em apenas 20% de todo trabalho.

Status: 23.605 palavras (4 dias)

Sunday, May 4, 2008

Kupka konny!

Hoje tinha intenções de terminar o "trabalho" cedo e gastar algum tempo comigo. Sonhava ir à sauna, usar aquele esfoliante que já está em falta, arranjar as unhas... enfim, tudo o que uma pessoa tem direito.
Mas, mais uma vez, as intenções ficaram-se por aí mesmo. E garanto que não é o meu plano de trabalho que é exigente, mas sim o ritmo que é lento. Estou a entrar em fase de saturação...

Status: 16.920 palavras (8 dias e meio)

Tuesday, April 29, 2008

Faits divers

A vantagem de ter professores "nórdicos" é que ao mínimo raio de sol temos motivo para ir fazer a aula lá fora. No outro dia, foi mesmo estendida na relva, de lenço na cabeça e óculos de sol; ontem, sentada no banco do jardim, envolvida pelo verde da natureza e o som dos passarinhos - senti-me como uma personagem num romance de Jane Austen.

As aulas continuam ao ritmo normal. Ontem foram 8 horas, hoje 5:30, amanhã 6. Claro que em dias como estes é impensável cumprir obrigações de trabalho extra, como sejam, por exemplo, sei lá... escrever a tese! O cansaço dá-me para guardar documentos em pastas erradas, imprimir 70 páginas de algo que não interessa para nada (com prejuízo tanto para o ambiente, como para o meu bolso), perder meias no caminho para a lavandaria e deixar a écharpe na cantina durante três dias - com o pormenor delicioso de ter olhado para ela e pensado "Olha que engraçado, alguém tem uma echarpe igual à minha!" (mesmo assim não bate o recorde do chapéu-de-chuva que ficou "perdido" durante mais de um mês na sala de aula de Francês).

Os aniversários continuam a verificar-se à média de dois por semana. Ontem às 22h perseguíamos a Ola com flores e cebolas pelo jardim - o apelido dela é Cybulska; à meia-noite já era a vez da A.P., a quem demos uma flor gigante, que entretanto se soube que era tóxica - fica a esperança de que ela tenha dormido de janela aberta...
Comum aos dois festejos foi o sentido de humor do Paul:"...and now, for the real gift!... a Master Thesis already done and finished, just for you!!"

Sim, Meu Deus! Porque que não chovem Master Thesis como cai a água do céu??

Status: 9.995 palavras (12 dias e meio)

Friday, April 25, 2008

Daj mi mój telefon komórkowy już!

As aulas de Polaco terminaram. Mas, claro, não sem antes nos fazer passar pela tortura de um exame!
Tive que manter a calma e conceber uma estratégia.
O meu plano altamente perspicaz foi não fazer nada, ou seja, continuar a fazer exactamente o mesmo que fiz durante mais de 7 meses de aulas. Já que por mero orgulho (confesso) não desisti, ao menos terei uma noção verdadeira e crua do tamanho do estrago feito e poderei prevenir, com conhecimento de causa, futuras tentações de aprender línguas "skomplikowanas"!
Sim, não era nesta fase que me ia pôr a decorar os verbos iść, chodzić, pójść, jechać, jeździć, pojechać, que querem todos dizer "ir", mas uns a pé, outros de transportes, uns regularmente, outros só em datas específicas, e provavelmente até alguns ao pé-coxinho ou de burro, no Dia de São Nunca À Tarde ou sempre que a vaca tussa! I rest my case...
Já agora, o título deste post é a tradução polaca de "Dá-me o telemóvel já!". Como todo e qualquer aluno que se preze, tive que decorar esta frase, não fosse a "stôra" querer invadir a minha privacidade ou o raio-que-a-parta no exacto momento em que estava a ver as cábulas no telemóvel!

Status: 7.647 palavras (17 dias e meio)

Tuesday, April 22, 2008

The Wild Pink Rabbit


Desde o início do ano habituámos-nos a ver os guardas a fazer a ronda à gaiola. Que nem Bruce Willis na cena da piscina do "Unbreakable", invariavelmente eles passam de capa negra pela frente da A2, o anfiteatro envidraçado onde temos a maioria das aulas.
Como é bom de ver, alguem que queira destabilizar uma aula só tem de fazer como os guardas, ou seja, rondar a A2: porque o Professor estará normalmente de costas, mas a plateia de alunos assistirá a tudo.
Assim foi: enquanto o Professor descrevia os futuros cenários da Europa de amanhã, um objecto não identificado cor-de-rosa peludo passava discretamente pela relva lá fora. Seria um pássaro? Um avião? O super-homem? Talvez a pantera cor-de-rosa?? Não. Era o Coelho Rebelde Cor-de-rosa!!!
Desde então, não nos larga! Corre pelas residências, bate à porta de todos os quartos, bebe vodka no bar... até esteve a aprender a dançar reggaeton com um bielorrusso enlouquecido que por cá passou e saltou de uma caixa de cartão só para surpreender a Irina no seu aniversário.
Ai coelhinho, se eu fosse como tu, ia mas era viajar e mandava a tese para o cu-elhinho!...

Status: 4.764 palavras (20 dias e meio)

Friday, April 18, 2008

Countdown

A contagem decrescente começou e eu nem dei por ela.
Estava atarefada com arrumos pós-festa nacional, entretida em almoços domingueiros no calor da família Dziarnowska, presa a filmes como o "Babel" e o "Hotel Ruanda", envolvida no combate mundial à desflorestação, pelo ambiente, a biodiversidade e as populações indígenas!...
Mas hoje lançei a primeira pedra!
Ou seja, começei a escrever a tese.
Foi, para dizer a verdade, um belo de um pedregulho!...

Status: 2.072 palavras (24 dias e meio)

Monday, April 14, 2008

Ainda a "pukerrea"...

Neste momento, devemos ser cerca de 15 os sobreviventes - ou será melhor dizer, os resistentes. Não se fala de outra coisa na gaiola. Vive-se um clima de medo, que começa a roçar os contornos da epidemia que José Saramago tão bem descreveu no seu "Ensaio sobre a Cegueira": alguns enfiam-se no quarto, em auto-quarentena, para não apanhar a peçonha; outros enviam mails acusatórios, levantam suspeitas em relação aos culpados, recordam regras básicas de higiene; houve até quem já chamasse a ASAE cá do sítio para verificar as condições da cantina; por fim, uns quantos enfermos apelam ao bom senso e pedem para não serem de discriminados.
Mas se tudo isto servir para adiar o prazo de entrega da tese, nem que seja por dois dias, para mim já valeu a pena! Ficarei eternamente grata aos que, sem saberem, se sacrificaram no momento em que sucumbiram à virulência!

Saturday, April 12, 2008

Dia Ibérico ou o Vírus do Estômago


Uma semana inteira a correr atrás de patrocinadores, a decorar o bar, a cantina, as residências, a distribuir kits turísticos, programas da festa, programas do coro, a enviar convites, a limpar copos de vinho, a traduzir receitas, a escolher menus, a encomendar flores, a montar exposições, a fazer 50 lts de sangria, a recortar palmeiras e boias de salvação à Baywatch...
Para quê?
Teoricamente, para o tão anunciado Dia Ibérico.
Na prática, para gozo de um reles vírus do estômago, que 5ª feira à noite começou a minar todo o nosso esforço, dedicação e empenho.
Durante os churros com chocolate, ao pequeno almoço, as baixas ainda estavam dentro da dezena. A coisa foi aumentando ao longo do dia, mas durante a paella e o espectáculo de sevilhanas, ao almoço, ainda não era evidente. Às 6 da tarde já mais de 20 pessoas estavam na fila para o médico, que entretanto chegou. Eram, pois, mais de 20 as cadeiras que estavam vazias enquanto servíamos "algo" parecido com caldo verde, bacalhau à braz e pasteis de nata. A coisa ganhava tal dimensão que, apesar do concerto de fado ter sido um sucesso absoluto, terminou com o aviso público de que o médico estava de partida e que, portanto, se houvesse alguém mais que se estivesse a sentir mal, era a hora de dizê-lo.
A festa na praia contou com mais umas baixas. Às 2 de manhã já só cerca de 15 pessoas se banhavam nas águas do Bar Rosso's...
Onde é que já se viu uma festa latina praticamente morta a tais horas??
Só no Dia Ibérico ou, será melhor dizer, no Dia do Vírus do Estômago.

Thursday, April 10, 2008

Portucale

O jantar no Portucale deixou-me nostálgica. A culpa foi dos croquetes de carne e dos rissóis de camarão, do bacalhau com natas e da mousse de chocolate. Quando cheguei ao quarto tive uma visão.
Era a Nação que chamava por mim, a Pátria que clamava atenção ou, simplesmente, o Estado-membro que se me dirigia em pedido de socorro?
Que nem Camões, as Tágides desceram sobre mim e levaram-me a embarcar numa empreitada sem precedentes!
Esta é a minha modesta epopeia, adaptada às tecnologias do século XXI!

Sunday, April 6, 2008

Saturday, April 5, 2008

Balkan Day


Croácia, Servia, Macedónia e Bulgária: o que é que estes países têm em comum?
Os Balcãs, que para além de ser o nome da cordilheira de montanhas, é sinónimo histórico de guerra, desordem e violência. A organização conjunta deste dia, se alguma coisa mostrou, foi a vontade de alterar esta realidade.

Na Croácia, come-se polenta com leite ao pequeno almoço, ao som da melodia dos "orgãos de mar", únicos no mundo.
Na Sérvia, fazem-se filmes acerca do amor conturbado entre camionistas daltónicos tatuados e ex-prostitutas grávidas, numa terra de malfeitores. Mas aqui, nem o Super-Homem lhes podia valer! É que foi descoberto kryptonite nas minas da região, naquilo que se poderá entender como uma aproximação inédita da ciência à ficção.
Na Macedónia nasceu Madre Teresa de Calcutá, que estava longe de imaginar que o seu país viria a ser o primeiro do mundo a ter cobertura integral de internet sem fios.
Na Bulgária, dança-se sobre o fogo (Nestinarstvo) e foi uma música típica nacional a escolhida pela NASA para embarcar em 1977 no Voyager 1 e mostrar às outras criaturas do universo que os humanos são pacíficos. Oxalá a música ainda viaje pelo espaço a fazer propaganda por nós!

Mas, pelos vistos, o que está mesmo a dar nos Balcãs é ser camponês, como, aliás, a festa demonstrou noite dentro!
O camponês-pastor discutia a ovelha roubada pelo vizinho.
O camponês-agricultor enfurecia-se pela árvore cortada em terreno alheio.
E também havia quem se descabelasse, de indicador em riste e tom ameaçador, por ser alvo dos flashes das câmaras fotográficas - esse era o camponês-parolo-metido-à-Jet7-empertigado-com-laivos-de-
-Castelo-Branco-no-seu-melhor!

Wednesday, April 2, 2008

Missão impossível

É descrever em 1500 palavras ou 3 páginas outras tantas (21) missões impossíveis da UE pelo mundo inteiro, dar a conhecer os seus fracassos e propor melhorias para futuras intervenções. Bem sei que me queixo por muito e por pouco, mas só vejo uma solução: bullet points.

É conseguir patrocinadores para o Dia Ibérico. Conseguir até se consegue, porque de boas intenções está o mundo cheio! O problema são os obstáculos burocráticos intransponíveis e a Polónia também tem mestria nesta arte. Criatividade e destreza são necessárias para abrir frechas. Por enquanto, sonha-se com o dinheiro prometido.

Nem vou, como é óbvio, falar da tese, que está a 9 páginas........... de bibliografia!...

Monday, March 31, 2008

Saturday, March 29, 2008

Chemical cocktail

O curso de Ambiente, pomposamente denominado Current International and EU Environmental Issues, é dado por um espanhol com nome de francês, que vive na Bélgica e tem um British accent perfeito (sim, é possível os espanhois falarem inglês sem ser à "sopinha de massa"!), para além de um feitio algo temperamental, que, aí sim, demonstra a sua verdadeira natureza latina!
Hoje, para variar, tive oportunidade de me pronunciar a favor de mais uns quantos bannings: que se "bana" o tabaco e os carcinogéneos nos cosméticos, que se "banam" os GMOs e os testes em animais, que se "bana" o dietileno glicol das pastas de dentes e ai de quem deitar pílulas pela sanita abaixo! Da sanita vão para o esgoto, do esgoto para a água, da água para os peixes, dos peixes para nós e depois já não é necessário comer frangos de aviário para levar com uma injecção de hormonas. Outro exemplo é bem actual: o lixo amontoado nas ruas de Nápoles e as toxinas na mozzarella de bufala. Das ruas para o solo, do solo para erva, da erva para vacas, das vacas para o leite e do leite para nós.
A cadeia é simples, lógica, está à vista de todos e joga contra nós.
Silent Spring, de Rachel Carson, é o livro que desperta para esta realidade.
Aqui podem ficar com uma ideia do cocktail de químicos em que estamos submersos.

Mudando de assunto, mas nem tanto, aqui fica a minha música preferida dos Pustki. No final do concerto de hoje, a namorada do Bruno, recém-chegada de Espanha, foi parar ao hospital com um ataque de alergia. Seja do sumo polaco, da carpete da residência ou do fumo do palco... terá sido, certamente, apanhada algures no meio da cadeia.


Friday, March 28, 2008

Wednesday, March 26, 2008

Lotnisko

Mais um dia daqueles que detesto, passado em aeroportos, entre malas que pesam metade de mim, longas filas de embarque com escrutínio rigoroso de líquidos e corredores intermináveis de passadeiras rolantes. Uma perda de tempo, enfim.
Mas, mesmo assim, tomara que todos fossem como o de hoje!
A vinda foi um sucesso extraordinário, em contraste com a atribulada ida - o caso da garafa de hidromel que não estava devidamente selada (o raio da mulher!!!) valeu-me a medalha de ouro da maratona no aeroporto de Frankfurt, só para no final acabar no lixo, já que não parecia valer os €60 de excesso de bagagem que me queriam cobrar por ela! E como uma nunca vem só, tive estreia absoluta na arte de ser revistada, com direito a compartimento individual e tudo, só porque misteriosamente apitei, apesar de já ser a 3ª vez que nesse dia passava, sem qualquer apitanço, as portas de segurança.
A vinda, por sua vez, foi uma surpresa agradável! A situação era, à partida, delicada, com apenas uma hora para fazer a escala - que rapidamente se transformou em 40 minutos! Mesmo que eu conseguisse entrar no avião, era bem provável que a mala não tivesse igual sorte... Qual não foi o meu espanto quando a vi, verdinha e inconfundível, no tapete rolante! Agora só faltava descobrir o caminho directo para a saída, já que isto de não ter de passar pelo balcão de Lost Luggage era uma novidade e eu só sabia o caminho por aí!... Bem dizem que à terceira é que é de vez!

Wednesday, March 19, 2008

Lustro

Mirror, mirror, on the wall

What’s the Golden Cage, after all?


A campus surrounded by forest,

With students in between.

Of all the cages, the fairest

That Europe has ever seen!


A place of holy studies.

The cause of many worries.

The thing that can explain

Why you’re going insane!


Mais pas toujours mauvaise

Cette belle cage d’or,

Car ici on est à l’aise,

On vit plein de confort.


On danse, on joue, on chante,

On mange toujours ensemble.

On fait le grand bordel,

On va jusqu’au ciel.


On trouve des amis,

Maybe even true love

(Les rumeurs courent ici

As fast as a flying dove!).


We follow our ancestors’ path,

We carry a glorious task:

On sera la voix unie

De l’Europe accomplie!


Mirroir, mirroir magique,

N’est-ce pas la cage un endroit unique?

Monday, March 17, 2008

Saudade

Para além de ser o nome de baptismo do meu Toshiba A200 Satellite, saudade é aquilo que sinto todos os dias quando falo no Skype com família e amigos.
Claro que não deixo de me impressionar pelo facto da minha mãe, em Lisboa, ou da Luciana, em Macau, estarem à distância de um duplo click. Assim é mais fácil aplacar a saudade, mas não deixa de ser uma ilusão.
Poder-se-á dizer que o Skype inflingiu uma mutação genética irreversível no conceito de saudade. Já não é aquela saudade de ouvir e ver que sentia em Itália. Agora, é a saudade de tocar, cheirar, sentir. É a impotência de estar tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe. É a sensação de ver um filme, sem nele poder participar...

Sunday, March 16, 2008

Nouvelle Vague jokes


Anedota #1
Era uma portuguesa, uma polaca e dois franceses, que tinham pago 70zl por um bilhete para os Nouvelle Vague. Quando chegaram ao concerto havia um amontoado de gente à porta, tudo aos encontrões, a tentar forçar a entrada. O concerto começou e metade das pessoas, incluindo os nossos heróis, estava fora da sala. Mais gente continuava a chegar: havia fila na bilheteira.
Moral da história: só as pessoas pequeninas conseguem enfunilar-se pelo meio da multidão e aguentar 2h que nem sardinhas enlatadas de bicos de pé e aos saltinhos para ver a ponta do cabelo de quem está no palco.

Anedota #2
Depois do concerto, os nossos heróis (ainda sob a influência do "I go out on Friday night and I come home on Saturday morning") queriam ir tomar um copo. Após algumas consultas, decidiram juntar-se a personagens de outras histórias na Fábrica, um bar/disco na Praga profunda, do outro lado do rio. Passados 50 minutos, dois trams e uma valente caminhada, deram com o nariz na porta do seu destino: a Fábrica estava a fechar... às 23:30h... de sábado! Moral da história: confirmar sempre se o LUX está aberto antes de sair de casa num sábado à noite.

Friday, March 14, 2008

Escapadelas à cantina

A última semana tem sido frutífera em escapadelas à cantina.
Primeiro, rodízio no restaurante brasileiro, ao som do "segura o tchan, amarra o tchan", com um empregado polaco-magrebiano a insistir que era português e que vinha de "Lissabona".
Depois, o aniversário da Ana no israelo-judaico, onde os empregados cantam enquanto servem à mesa e os clientes são coagidos a afinar a voz para acompanhar a sessão de karaoke (sim, eu sei, também a mim me ensinaram que não se canta à mesa, mas desta vez teve de ser, para mal de quem me ouviu!...).
A vez que tentámos ir à famosa creperie também conta, embora tenhamos acabado nas pizzas, porque a creperie já tinha fechado. Bem se percebe: afinal eram quase 8h da noite e quem é que vai jantar fora a uma sexta-feira?

Wednesday, March 12, 2008

Why is integration so difficult?

É uma pergunta tramada. E que não se aplica só ao caso mais óbvio.
Pelo contrário, encontramos exemplos desta dificuldade nas situações mais banais do dia-a-dia:

Natolianos em Bruges
A meio da festa descobrimos uma salita à parte. Cinco minutos depois o poder de atracção funcionou e de 4 passamos a cerca de 15 - era como voltar à gaiola. Só demos pelo ridículo da auto-segregação quando a aniversariante veio pedir encarecidamente para voltarmos à sala principal, que estava vazia e "why don't you mingle?".

Brugelianos em Natolin
Hum... 70 pessoas a invadir as nossas salas, a ocupar o nosso bar, a entupir a nossa cantina!!! Egoismos à parte, a verdade é que o Krzysztof ganhou a aposta em como nenhum deles se viria sentar na nossa mesa, onde havia pelo menos 6 lugares livres.
Mas tiveram o que mereciam! Um fabuloso 4-1 na tradicional disputa de futebol. E pior do que isso! o Rinke a correr pelo campo tal como veio ao mundo, com a taça a cobrir as partes íntimas e "Bruges sucks" escrito no rabo. Claro está que nenhum dos vencedores beijou o troféu...

Friday, March 7, 2008

Miguelinho

No dia em que soube que existias deixei o carro ir abaixo 10 vezes e fui obscenamente insultada outras 10. Estava demasiado surpreendida e histérica para poder acreditar.
Depois vi-te no ecrã, entre claros e escuros, a mexer e remexer. Ouvi o teu coração acelerado e assenti quando comentaram que tinhas os lábios da tua mãe.
Mais tarde, tacteei a barriga que te protegeu, à procura dos teus pontapés, e falei contigo.
Não estava lá quando chegaste, mas a ansiedade corroía-me e a alegria fez-me espalhar as boas novas.
Hoje vi-te, escutei o teu choro e fixei o teu beicinho.
Em breve, poderei ter-te nos braços.
Mal consigo esperar!

"Brugelas"


O fim-de-semana em Bruges serve, oficialmente, para nos dar a conhecer a sede do colégio e possibilitar-nos momentos de calorosa confraternização com os nossos irmãos mais velhos.
Esta é a versão oficial. O que acontece, na realidade, é que depois de se deparar com as condições de vida dos colegas de Bruges, qualquer natoliniense dá graças a deus pelo que tem e jamais ousará dizer mal da gaiola!
Sim, admito, é um privilégio acordar nesta cidade de bonecas, atraversar a grand place todos os dias e parar em cada esquina para comprar chocolates - mas tudo o que é perfeito também cansa. Os turistas abundam e às 10:00 da noite de sábado não se vê vivalma nas ruas. Os estudantes vivem dispersos nas várias residências espalhadas pela cidade. Não se conhecem, não sabem sequer o nome do vizinho do lado. Habitam em cubículos, com paredes falsas, sujeitos ao mínimo ruído ou trepidação. Não sabem o que é mini-bar, televisão e muito menos leitor de dvd. Têm direito a duas refeições quentes por semana, de resto, que se amanhem com sandochas; se quiserem comer decentemente, que larguem no mínimo 15 euritos no restaurante!
Estão enfadados, subnutridos e falidos - são os próprios que o afirmam!
Obrigada, senhor, por conhecer os meus 100 colegas pelo nome, pelo colchão ortopédico, pelo elevador na Retinger, pelas 5 saladas à escolha na cantina, e tantas outras coisas... Ave golden cage!

A semana em Bruxelas serve para nos familiarizar com as técnicas de sobrevivência no mercado de trabalho da capital Europeia. Do Conselho ao Parlamento, da Comissão ao Comité das Regiões, passando pelos think-tanks, as NGO's, os advocay groups e, estranhamente, pela NATO, as palavras mais ouvidas são network e lobby. A conclusão a retirar é que, já que estamos dentro da primeira, há que utilizar a segunda...

Thursday, February 28, 2008

Energia

É o que é preciso.

É o que a Europa quer.
É o que a Russia tem.
É o que me falta para acabar este maldito paper!

É o que me faz desligar a televisão no off em vez do stand by.
É o que me dá choques de electricidade estática 10 vezes ao dia.
É o que vou buscar a Bruxelas na próxima semana.
É, também, o que lá vou deixar...

Entretanto... nasce miguelito, nasce!!

Monday, February 25, 2008

W drodze po oscara


Mais uma noite de Óscares e a tradição que não se cumpriu... Os fab five estão demasiado divididos geograficamente para se juntarem no calor da madrugada e votar nos candidatos à estatueta, comentar o mau gosto dos vestidos e abusar no consumo de junk food (croissants da Tarik à parte!).
Mas quem é que precisa dos Óscares, se temos a Alexandra, que à força de tanto ver e rever as cerimónias, consegue representar, na perfeição, uma qualquer jovem e brilhante actriz que acabou de ganhar a estatueta?

"Thank you, thank you! Oh my god!! I can't believe it! This is such a .... oh my god.... it's so overwhellming (n sei como se escreve)! But, I'd just like to thank a few people.... I love you all, mom, dad, Inês, Lu, Claude and Jonhy! This oscar belongs to you as well! Without you guys.... (tears)! (e a música começa a entrar) ... oh no, wait, please, please....and I'd also like to thank the members of the Academy for recognizing my work... our work! Oh... (e num grito triunfante erguendo a estatueta no ar) I'm the queen of the world!"

Sunday, February 24, 2008

Português

A reportagem do Publico de ontem, intitulada "Lusofonia com sotaque da nova Europa", fez-me lembrar a conversa tida há duas semanas na Embaixada Portuguesa com o leitor do Instituto Camões. Dizia ele que os polacos têm sede de conhecimento; que adoram aprender linguas e têm uma facilidade enorme em fazê-lo. Pois pudera! Com a língua desgraçada que têm, tudo o que lhes aparece à frente é canja!!
Contando com as três Universidades que no país ministram cursos de Língua Portuguesa, com as aulas de português escolhidas como minors no âmbito de outros cursos universitários e com uma escola secundária que oferece o Português como língua opcional, são cerca de 1000 os polacos que, actualmente, aprendem a nossa língua.
Segundo parece, o português exerce um fascínio irresistível sobre os europeus de leste...
De facto, agora que reflicto sobre o assunto, ocorrem-me episódios de elogio sincero por parte de estrangeiros ao nosso "lindo", "maravilhoso" idioma, que é, nem mais, nem menos, "a língua mais bonita do mundo!" (ainda que estejamos todos fartos de saber que a língua mais bela do mundo é o italiano, dai!).
As gentes da gaiola não fogem à excepção. Ainda hoje, terminei a noite a receber aulas de samba da Milena, a polaca que conhece mais musicas portuguesas e brasileiras do que eu, com quem
faço tandem de português-polaco e travo batalhas pelo não uso do "você" e do "mamãe"!

Tuesday, February 19, 2008

"Curada"


Quem é que há uns tempos me dizia que os The Cure estavam velhos, gordos e decadentes?
Quanto às rugas e às banhas, estava demasiado longe para tirar as dúvidas, mas acho que se as 3:20h de concerto serviram para alguma coisa, foi para mostrar que o grupo ainda está em forma!
A voz continua inconfundível, sem dúvida, e o som, como sempre, inebriante. Tão enebriante até, que a Ana adormeceu durante o concerto; à Lana pareceu-lhe estar a ouvir a mesma canção durante 1:30h; e a Agata exasperou de raiva porque os sacanas não tocaram o "Friday I'm in love"!
Quanto a mim, tive direito à minha preferida ("Close to me"), mas pergunto-me qual a utilidade de um grupo que vive de nostalgia não tocar os grandes clássicos... Além disso, onde é que está o orgulho de quem volta três vezes ao palco???

Sunday, February 17, 2008

No dentista

Como não se passa nada, para além das aulas, das apresentações, das pesquisas, dos trabalhos e da tese, há que criticar qualquer coisa.
Não, não vou falar da independência do Kosovo, mas sim, da minha nova cadeira. Pode não ser um tema tão internacionalmente marcante, mas é um aspecto crucial para aqueles cujo o universo tende a rodar à volta da secretária.
Eram 10:00 da manhã e dormia profundamente, quando ouço um nok nok de cortesia e, de imediato, a porta a abrir-se. Já não é novidade acontecer: o método das senhoras da limpeza é sobejamente conhecido. Mas geralmente, um ou dois "nie" proferidos de forma ensonada são o suficiente para as fazer capitular.
Só que desta vez não resultou. Em vez disso, uma cadeira desliza porta adentro. Desperta pelo insólito, ouço alguém no corredor dizer "switch chairs!". Será tradição trocar as cadeiras a meio do ano académico? Se calhar é algum método para contrariar a habituação do corpo e assim evitar espondiloses e outros males da coluna! Sim, é isso de certeza! Aqui vai!!...
Estava demasiado enebriada pelo sono para me aperceber que acabara de abdicar da minha velha fiel cadeira, já meia manchada pelo tempo e com um dos braços partido, por uma substituta de terceira geração que não deve nada à ergonomia. Não quero ser acusada de resistência à mudança, mas a verdade é que se regulo o encosto, o assento descai e sinto-me como no escorrega do parque de diversões; se endireito o assento, o encosto desliza para trás e é como se estivesse no dentista!
Bem, pelo menos emoções fortes aguardam-se de cada vez que me sentar à secretária...

Friday, February 15, 2008

A bas la St Valentin, préparez-vous à la révolte!


Logo no dia em que o pequeno almoço ia ser servido até às 11:00h, tive de alvorar para ir à mítica reunião das 8:30h com o Director de Estudos. O esforço acabou por compensar quando vi os croissants sobre a mesa e nem me importei de esperar meia hora pelo pan au chocolat! A journée française prometia!
Depois veio o almoço: crepes de espinafres e empadas de... franguinho?, pensei eu - embora me soasse estranhamente familiar e não tão típico franciú... "Have you tried the escargots?" Quê???? Obrigada, Maike, salvaste-me a vida!!! Mais uns segundos e teria ingerido aquelas ranhocas, sofrido uma mutação genética e encarnado um ser verde, viscoso e com antenas, igual ao Jabba da "Guerra das Estrelas"!!!
Livre do pior, fui abandonada, sem dó nem piedade, pelo meu par da pétanque - pelo que não cheguei a experimentar o jogo que faz as delícias das tardes de jardim dos octagenários francófonos!...
Mais uma vez resisti e cheguei ao jantar romântico pronta para colaborar no sistema de rotating date, ou seja, entrada com um, prato principal com outro e sobremesa com o terceiro. A coisa nem sempre bateu certo, porque, para variar, o sexo feminino domina, o que fez com que o "um" pudesse ser também "uma"... Para além disso, a flor que me estava destinada é a que podem ver: será isto um sinal???
Por isso, abaixo o S. Valentim!! Vivam as manifs!!!
Colei flores na roupa, fiz o risco ao meio, queimei o soutien (mais ou menos, pouco, quase nada, nada, não queimei...), e fui dançar tectonik, dedos em V, pelo Maio de 68 e pela paz!

Thursday, February 14, 2008

Wednesday, February 13, 2008

Tempo

Abri a agenda e folheei as páginas dos próximos meses.
Sei que as semanas vão passar rápido. Talvez mesmo tão rápido quanto os escassos segundos que demorei a percorrer as folhas até chegar a Junho. Mas nunca vi tão pouco tempo para tanta coisa. Como é que vou conseguir fazer tudo com este sono?
Hoje não me apetece ir ao polaco!

Saturday, February 9, 2008

Roman Convivium


Quando Liszt ouviu pela primeira vez Paganini ao violino ficou abismado. Dizia-se que o violinista italiano teria vendido a alma ao diabo, tal era a genialidade da sua arte. Liszt decidiu, então, tornar-se o "Paganini do piano", transcrevendo a obra deste para o teclado, nos seus "Estudos baseados nos caprichos para violino de Paganini".
No "dia nacional italiano" tivemos o privilégio de ouvir algumas destas peças de "execução transcendente", como o próprio frisou. Adorei o terceiro estudo, "Campannella", onde a rapidez e a delicadeza do pianista são postas à prova!
Seguiu-se il aperitivo, ao som do "La donna è mobile" cantado pelo coro, e a projecção do filme de culto "I cento passi". Nesta altura, já estava inundada de emoções, banhada por uma corrente de memórias que me atravessou o espírito e me guiou de volta a Bologna!...
Fora do tempo e do espaço, cheguei, por fim, a Roma Antiga. Num salão soberbamente decorado a vermelhos e dourados, com majestosas colunas improvisadas, fartura de uvas, colchões e almofadas no chão (só faltavam os vomitórios!), reunímo-nos num convivium imperial em estilo de "lounge romanus". Pela noite dentro, fomos cidadãos e cidadãs de Roma, convivendo em "linguagem gestual italiana", lado a lado com escravos, bárbaros e até mesmo o próprio Jesus Cristo!

Tuesday, February 5, 2008

Carnavau, cadê você?

Moro...
Num país tropical,
Abençoado por Deus
E bonito por natureza
Mas que beleza!
Em fevereiro, em fevereiro
Tem carnaval, tem carnavaaaaaaal!!! (...)

Na Polónia, seria mais ou menos assim:

Moro...
Num país eurocentral,
Abençoado pelo Papa
E gelado por natureza
Mas que frieza!
Em fevereiro, em fevereiro
Sem carnaval, sem carnavaaaaaaal...

Sentada numa cadeira...

Sentada numa cadeira virada para a parede, fixei o olhar nos azulejos brancos, à falta de um espelho onde me pudesse mirar. Deixei-me embalar pelo ruído mecânico, forte e contínuo das máquinas de lavar, enquanto mãos terceiras, de tesoura em riste, me passavam pelos cabelos. E eles caíam sem piedade!...

Saturday, February 2, 2008

Benedk


Não, Benedk não é um país da Asia Central, nem uma qualquer ilha escondida no Pacífico. Simplesmente, belgas e holandeses da gaiola decidiram virar costas aos irmãos luxemburgueses (já que eles aqui são inexistentes) e abraçaram os primos dinamarqueses - transformando a célebre expressão Benelux em Benedk!
O dia do Benedk começou com um corredor de bolachas belgas nas residências. Pequeno-almoço holandês (significa pão com manteiga e chocolate granulado por cima - ou aquelas bolinhas prateadas que as mães punham nos nossos bolos de aniversário quando éramos pequenos), almoço dinamarquês e jantar belga chic (moules et frites, bien sûr - ô-lá-lá, tal como naquela jantarada no Chez Leon em Bruxelas, nos tempos de interrail!...).
Pelo meio, "Simon", um filme holandês que começa como o "American Pie" e termina como o "Million Dollar Baby".
À noite teve lugar a Sensation White Rave, em white happy hardcore jumpstyle edition. Vestidos de branco dos pés à cabeça e com camadas de gel no cabelo, ravers e raveonettes desbundaram all night long ao som techno-electrónico de uma disco forrada a papel de prata.

Friday, February 1, 2008

Bombeiros

Era meia-noite, quando um grupo de mais de 30 pessoas se juntou no corredor de uma das residências para felicitar a Zeljka pelo seu aniversário. A Milena e a Agata (quem mais!?) traziam dois engenhos do género mini-foguetes (eu diria até mesmo pseudo-foguetes) que acenderam enquanto cantávamos os parabéns nas várias línguas.
Três minutos depois, um dos guardas aparece, ofegante e transpirado, aos berros a perguntar onde era o fogo. Parece que os tais engenhos tinham activado o alarme de incêndio - que, pelos vistos, é um alarme silencioso, já que ninguém deu por ele!...
Não valeu de nada explicar que tinha sido um acto acidental, que não, não estávamos bêbados nem a brincar com coisas sérias e que aquilo não era uma festa ilegal: sete minutos depois, os bombeiros estavam à porta da residência.
Nesta altura, já a Zeljka - com as cuecas acabadinhas de receber por cima das calças de ganga - pensava que se tratava de uma surpresa e que a qualquer momento os bombeiros se livrariam das suas fardas e se entregariam a um arrojado show de striptease (quem sabe senão mesmo ao som do "brinca comigo Maria... quero ser o teu bombeiro!", perfeito para a ocasião)! Mas não. Desta vez a coisa era séria.

Thursday, January 31, 2008

Pączki

Na Quinta-feira gorda antes do Carnaval, fritam-se e comem-se pączki, os donuts polacos com recheio de doce de rosas!

Claro que na cantina tivemos direito a uma versão alternativa, com recheio do resto de pudim instantâneo de laranja amarga da semana passada...

Wednesday, January 30, 2008

Anna Politkovskaya & Hrant Dink's Promotion II

Embuída do espírito Reporters Sans Frontières (após a conferência de hoje sobre a liberdade de imprensa na Europa), recordo o segundo patrono da nossa promoção:

HRANT DINK:
jornalista turco-armeno, dedicou a sua vida à defesa dos direitos das minorias nacionais, nomeadamente da minoria armena na Turquia. Processado e condenado diversas vezes pela sua posição crítica, considerada anti-nacionalista, relativamente à postura do Estado Turco quanto ao reconhecimento do genocídio armeno. Assassinado há um ano e dez dias.

Tuesday, January 29, 2008

"C'est arrivé près de chez vous"


Começou hoje o Killer Game, o jogo que revela bem o humor negro dos belgas e que certamente irá pôr a comunidade da gaiola louca durante a próxima semana!
Sim, se com os Elfos no Natal já foi o que foi, imaginem agora, que temos de nos matar todos uns aos outros com coisas que podem ir desde obrigar a nossa vítima a comer amendoins com açucar ou a roubar-lhe um par de meias! Essencial é ter uma testemuha que certifique o acto da matança. Mais irónico é, depois de mortos, termos de prestar vassalagem ao nosso próprio assassino, levando-lhe o pequeno almoço à cama ou pagando-lhe uma cerveja no bar!
Let the games begin!!

Saturday, January 26, 2008

Agagki B-Day

What is this?

"Dear all, girls and boys, small and tall (especially Small People Committee), Europeans and Portuguese, devils and Angel, those who know Spanish flag and those who don't, meufs et boufons, Gypsies and Gipsas, blond and black, losers and winners, pchlarze i wszy, kitties and puppies, sexual objects, Spanish attractions and Adolfo... I would like to invite you to celebrate my 26th birthday with me!"


Agata: a polaca que me contou toda a verdade acerca do mito dos locais beberem vodka ao pequeno almoço ("é verdade, mas a coisa só se faz aos domingos e em dias de festa e só lá pelas 10h da manhã, por isso olhó respeito!") e que ameaçou fazer uma petição pelo direito a ter vodka com sumo de uva no Barrosso's...

A festa durou cerca de 48 horas e trouxe várias caras novas à gaiola. O traje era uma gravata e um badge "I love Agata". Com direito a blok czekoladowy (ou comunist cake), o bolo que se fazia na época em que não havia chocolate nem açucar e quando bananas e tangerinas eram o melhor que se podia colocar debaixo da árvore de natal... Como grande atracção, as fabulosas actuações de "Sarà perche ti amo", pelo Trio la la la & Adolfo, "YMCA Team" (na continuidade do show das Spice Girls apresentado no aniversário do Thibault), Chris-Papa Dance, o ícone polaco dos anos 80, com "Maxi Singiel", e, cherry on the top, "Brinca comigo Maria... quero ser o teu bombeiro..." do nosso Emanuel-pimba, interpretado pela comunidade tuga local, moi même incluída.
Como não podia deixar de ser, celebrou-se também o aniversário da Milena (há três meses que o celebramos todos os dias!), que entretanto descobriu a sua vocação enquanto segurava o microfone e cantava "sai da minha vida!" para uma plateia semi-vazia...
Entre os presentes, um gorro, um pijama Hello Kitty, uma T-shirt estampada com os nomes de todos e um DVD do Borat!

Uaua wiuaaaaaa... it is a very niiiiiiiice!!!

Wednesday, January 23, 2008

Konduktor e Ampelmann


A viagem de comboio até Berlim foi como levar um balde de água fria: "Acorda para a vida! Qual UE, qual carapuça... isto é o leste!"

00:50, Warszawa Centralna:
A simpatia da senhora da bilheteira não surpreendeu - tendo em conta que já deu para perceber que os locais não são lá muito adeptos do conceito de prestação de serviços... Às nossas perguntas em inglês, respondia em polaco. Ok, acho que deu para perceber: o comboio vem de Moscovo e o bilhete compra-se lá dentro ao konduktor. Já dentro do dito, foi necessário uma voluntária traduzir para percebermos que só poderíamos comprar metade do bilhete até Poznan, onde o comboio se dividiria; mudaríamos então de carruagem, passando para a parte russa, e, aí, compraríamos o resto do bilhete.

04:00, Poznan Centralna:
Em corrida veloz para a carruagem n.º 1, esbarrámos com uma figura gigantesca, fardada ao estilo militar, um semblante carregado que, naquele cenário, arrepiava a espinha. O general russo saído da II Guerra Mundial era, afinal, o konduktor. Às nossas palavras "nie reservacia", esboçou um sorriso irónico e juro que o dente de ouro brilhou! "Fünfzig Euro!" Quê, 50 euros por um bilhete que custa 20??? Só para tirar as suspeitas: "Ok, pagamos em zloty". "Nien! Euro!". Mau, mas, que eu saiba, estamos na Polónia... "This is not legal!!", repetia a Irina. "We're in the European Union!!!", gritei eu (pobre inocente, de tanto estar aqui enfiada, estou a perder a lucidez, só pode!). "OK, let's pay...", murmurava a Rola, a medo. O Bruno tentava resolver a questão de forma diplomática na bilheteira. Mas entrar naquele comboio era quase tão difícil como atraversar o muro de Berlim e por isso não demorou muito para ver a Irina (1,50m de puro sangue italiano!) agarrada à porta, a tentar subir os degraus; e eu (mais discreta), numa sinfonia ritmada de abrir e fechar de portas com o konduktor. O polícia que entretanto chamámos é que não achou lá muita piada, mas, pelo menos, lutámos até à última! Por fim, o comboio partiu. O konduktor ficou à porta, de braços abertos e sorriso nos lábios. Enquanto a carruagem se afastava, tive a impressão de que se transformava num ampelmann vermelho...

E o que aconteceu, então, aos quatro ampelmann verdes? Pois, tiveram o privilégio de visitar Poznan by night e, mais tarde ou mais cedo, chegaram ao seu destino!...

Saturday, January 19, 2008

Ich bin ein Berliner


No Dia Nacional Alemão, levantámo-nos cedo para saborear as especialidades do pequeno almoço: pãezinhos com sementes, salame, ovos, knoppers... Ao almoço só dei pela sauerkraut. Segundo a tradição germânica segue-se a hora do kaffeekränzchen: café e bolo floresta-negra ao som de música clássica.
Depois da conferência sobre os 18 anos da unificação alemã (este tema faz-me lembrar o "Adeus, Lenine!", que aconselho vivamente!), recebemos alguns marcos dos serviços de fronteira - tal como os receberam os alemães de leste à entrada da RFA, após a queda do muro - e jantámos pelas ruas de Berlim. Munidos de bilhete e pipocas, fomos ao cinema ver "A vida dos outros" (para não me repetir e dizer que aconselho vivamente, confirmo apenas que há muito tempo que não via um filme tão bom!)
Por fim, voltámos atrás no tempo, até aos loucos anos 20, quando Berlim estava a bombar! E seguimos à risca não só os trajes, mas também o espírito libertino e ousado da época. Foi até cair!
Gostei tanto, tanto, tanto, que decidi ir ver tudo na primeira pessoa: Berlin, komme ich!!!!!

Friday, January 18, 2008

Les usages du protocole diplomatique


Não chegámos a aprender a comer croquetes, como temia o João, mas estivémos lá perto.

1. A conferência
No ecrã, a planta do Hotel de 5 estrelas onde o evento se vai desenrolar. À primeira vista parecia que íamos estabelecer um plano de fuga de emergência em caso de incêndio ou de ataque terrorista, como está agora mais em voga. Não. O objectivo era descrever minuciosamente todas as salas, com indicação dos respectivos nomes. Para ficarmos com uma ideia mais realista do cenário, circulavam pelas mesas as brochuras promocionais do hotel, para que pudéssemos verificar os lençois cor damasco acetinado onde o moderador iria dormir e a sanita de ouro onde o secretário... escreveria certamente a acta!

2. A visita de Estado do Rei Hussein e da Rainha Noor da Jordânia ao Eliseu
O ressuscitar do Rei é, neste caso, indiferente. O que importa é saber que a recepção no aeroporto tem que ser feita com um tapete vermelho, uma bandeira e, claro está, o hino nacional dos convidados. No ecrã, a planta da cidade de Paris, para podermos traçar o caminho do aeroporto ao Eliseu, tendo em conta que, por motivos de segurança, algumas ruas estarão cortadas ao trânsito. Muito importante: o diplomata que acompanhe os Reis, para além de ter de ser cortez, bem falante e, provavelmente, primo do Presidente da República, terá de ter um excelente sentido de orientação para poder ir indicando os principais monumentos da cidade durante a trajectória. Só por esta última razão, já não há esperança para mim!...

3. A Mesa Kymoto
Pouco importa quem eles são, basta saber que o casal Kymoto, rico e influente, acaba de chegar à Europa e pretende organizar uma soirée, convidando personalidades distintas da vida política belga. Mas, como sentar todos à mesa?? É simples, diriam voçês, faz-se uma mesa à la française, com os anfitriões ao centro, frente a frente, o lugar de honra sempre à direita do anfitrião, seguindo uma ordem que obedece, em primeiro lugar, à alternância homem-mulher e, em segundo, à importância das funções exercidas. Mas tudo se complica quando nos apercebemos que nem todos os convidados falam as mesmas línguas: não podemos, por exemplo, isolar a anfitriã, que só fala japonês, colocando à sua direita o Ministro das Finanças, que só fala francês e inglês, e à sua esquerda o Presidente da Associação Industrial que apenas fala francês... O terror instala-se quando, em acréscimo, se torna evidente que o número de lugares na mesa é inferior ao número de convidados. Haverá, então, que criar uma segunda mesa que será, inevitavelmente, uma mesa de segunda... Pior do que isso, as mulheres estão em minoria, pelo que, para que haja equilíbrio de género também na segunda mesa, haverá que separar casais, entre os quais dois jovens pombinhos ainda em lua-de-mel! Finalmente, é dramático saber onde sentar a filha Kymoto, uma adolescente rebelde que insiste em mostrar a todos onde podem enfiar as regras protocolares!

4. O jantar de gala
Antes de mais é necessário compor o menu. Atenção às alergias alimentares, aos diabetes e à religião dos convidados! Jamais repetir tartes (exemplo: quiche lorraine como entrada e apfelstrudel como sobremesa)! Saber usar pelo menos três garfos, manejar a arte de pegar os copos de cristal consoante se trate de vinho branco ou tinto, não comer o pão do vizinho e resignar-se ao facto de que as senhoras são sempre servidas em primeiro lugar. Um pormenor de importância extrema: saber repartir as atenções, ou seja, durante o primeiro prato fala-se com o vizinho da direita, durante o segundo prato com o da esquerda, na sobremesa retomamos o livre arbítrio e podemos falar com quem quisermos! De qualquer forma, nesse momento é de esperar que o álcool já tenha tomado conta da mesa, fazendo reinar a bandalheira geral.

5. Os convites
Devem ser amavelmente aceites ou cortesmente recusados. Mas sempre agradecidos. Uma forma simpática de agradecer é enviar, no próprio dia, por volta das 17:00 horas, um ramo de flores à anfitriã. Atenção! Enviar e não levar em mão! Seria extremamente deselegante, e desagradável mesmo, aparecer com um ramo de flores, obrigando a anfitriã a ter de arranjar, no momento, um vaso para as colocar - e assim monopolizando por completo a sua atenção, que deve estar igualmente repartida por todos os convidados. Às 17:00, porque a essa hora a anfitriã estará certamente no local a tratar dos últimos preparativos, a saber: decidindo onde sentar o moderador e o secretário (que recentemente se descobriu serem o tal casal de pombinhos em lua-de-mel...); resolvendo o que fazer com o primo do Presidente da República, que só fala francês, e mal; verificando o teor de açucar do sorbet de limão; escolhendo entre a toalha de renda de bilros ou a de brocado em ouro com flores... Ou então, está simplesmente enfiada na cama com uma tremenda enxaqueca!

Tuesday, January 15, 2008

Cadê a neve??








Sinto-me defraudada!!
Onde está a neve? Cadê as snowball fights prometidas? E o meu primeiro boneco de neve?? Quero poder esbracejar e espernear até ser um anjo. Quero andar, afundar-me e deixar marcas por onde passo. Quero existir!
Onde estão os temíveis 15 graus negativos? Ou mais até?? Quero ter de usar collants, dois pares de meias, perneiras e calças de lã e não sentir os dedos dos pés! Quero poder usar gorro, tapa-ouvidos, cachecol até aos olhos e sentir o pingo do nariz a congelar!! Quero ter frio só para voltar a ter calor. Quero viver!
Raios partam as alterações climáticas!!

Sunday, January 13, 2008

Back to the golden cage


Os últimos dias foram passados entre Grécia, Roma e Jerusalem. Ah, pois é, estava a falar a sério quando disse que ia começar a viajar!!!
A mochila de interrail é que ainda não se moveu e digamos que este tipo de viagens só contribui mesmo é para a quadratura do meu rabo...
Depois do meu anjo da guarda ter provado mais uma vez a sua existência, oferecendo-me de bandeja um dia extra para estudar, quero dizer, viajar claro!!, encarei o peso das civilizações com o óptimismo humanista da renascença, a racionalidade pura das luzes e o espírito revolucionário napoleónico.
No final, estava apta a discorrer sur quoi peut-on fonder le sentiment d'appartennance des européens à l'Europe.
Nem de propósito! Quer dizer, se eu não me convenço a mim própria, quem me convencerá??

Monday, January 7, 2008

Termofor e leftovers


De volta à gaiola para mais uma cruzada!
Desta vez, não me apanham desprevenida. Venho preparada para a neve com um potente blusão de ski, escudo essencial para a snowball battle com que calorosamente fui recebida. Combaterei os 15 graus negativos com o meu termofor predilecto! Sou oficialmente a embaixadora dos pasteis de belém na gaiola e durante a ronda dos "natas" (como lhes chama o Adolfo) fui violentamente coagida a provar outras tantas iguarias nacionais, regionais e caseiras. Finalmente, estou munida da minha mochila de interrail, pronta para viajar - ou pelo menos começar a pensar nisso (seria bom poder responder "sim" quanto me perguntam entusiasticamente "então? fartas-te de viajar, não??")...
Antes, terei de enfrentar os leftovers, não de Amesterdão (em cujo aeroporto passei 8 horas inesquecíveis...), mas os do semestre passado, ou seja, exame na 5ª feira. O pior é que os meus livros gostaram tanto destas férias como eu. Bem os percebo, coitados, também precisavam de descanso...