Sunday, September 30, 2007

1 mês

Há 1 mês atrás, Lisboa.
1 mês depois, Varsóvia.
Daqui a 1 mês, Istambul.
Mais 1 mesito e, para mim, é mais 1 ano.
Depois, volto às origens e começo outra vez.

Saturday, September 29, 2007

O mercado russo


Imaginem a cratera de um vulcão. Todas as pessoas na berma a olhar para aquele fosso profundo. É assim o mercado russo. Só que não na cratera de um qualquer vulcão (porque não há dessas coisas para estes lados), mas num estádio de futebol.
Explico. O mercado não é no relvado, que, apesar de tudo, ainda existe. Nem nas bancadas, onde agora nascem árvores. O mercado russo fica lá em cima, na berma do precipício e depois desce pela encosta imensa.
Depois do primeiro impacto provocado pela "paisagem", o mercado russo não me desiludiu. Tal qual feira da ladra, tem de tudo. Mesmo de TUDO. Tem até russos (quem diria), que vendem matrioskas e pins do Lenine. Só não dei foi pelos ciganos aos berros - o que, admito, tira um bocado de encanto à coisa!
Claro que, como verdadeira apreciadora de feiras e mercados, não podia ter deixado de ir. Especialmente depois de saber que o mercado russo tem os dias contados. É que vem aí o Euro 2012 e, ao contrário de nosotros (é sempre boa táctica falar em espanhol quando estamos a dizer mal do nosso país... só para confundir!), a Polónia prefere recuperar os estádios existentes.

Wednesday, September 26, 2007

Conseguiiiiiii!!!!

Dar uma volta completa ao parque!!!
Hoje.
Pela primeira vez.
O que significa correr 3 Km.
O que fiz exactamente em 20 min.

A Bitsch

O curso de Histoire de la Construction Européenne ia ser dado pelo Prof. Lukaszewski. Segundo percebi, trata-se de um dinossauro vivo, mas no bom sentido, ou seja, estilo Adriano Moreira cá da zona, o que me deixou bastante entusiasmada em relação às aulas. Mas, infelizmente (ou não - nunca o saberei), o Prof. Lukaszewski adoeceu e não pode vir dar o curso.
Tiveram, então, que arranjar alguém à pressão que viesse da "Europa" substituí-lo (a este respeito, acho que posso dizer que a Polónia, se bem que no extremo oposto, sofre de um mal semelhante ao de Portugal). A solução foi M. T. Bitsch.
A Bitsch, de certeza, tinha mais do que fazer em Strasbourg, pelo que teve que concentrar no tempo a sua estadia em Natolin. Resultado: 12h de Bitsch em 2 dias, com direito a exame no 3.º dia.
Devo dizer, agora olhando para trás, que a Bitsch acabou por não ser tão má quanto o nome indiciava. O seu ar de avózinha chegava até a ser ternurento. Mas, convenhamos, há limites para aturar as Bitschs deste mundo e 12h ultrapassam bem as marcas! Além disso, a sua verdadeira natureza acabou por se revelar no 3.º dia (é sempre no 3.º dia que acontece qualquer coisa). Foi então que o exame fez juz ao nome...

Sunday, September 23, 2007

Chopin


Na casa onde Chopin nasceu (Zelazowa Wola) fazem concertos todos os Domingos.
Os VIP's (i. e., as pessoas que reservaram com antecedência) ficam na sala onde o próprio Chopin tocava para os seus amigos. A ralé "vê" o concerto de cá de fora, pelo som que sai das janelas escancaradamente abertas.
As obras do grande mestre são interpretadas por pianistas polacos. Estes pianistas polacos têm tendência para ser jovens em ascensão com pinta de superestrelas de rock. O de hoje, abanava tanto a cabeça, revolvia tanto o cabelo, que era só pôr-lhe umas calças de cabedal, tirar-lhe os óculos, substituir o piano pela guitarra eléctrica e voilá: Axel Rose no seu melhor!

Saturday, September 22, 2007

Survival Polish

Finalmente, hoje acabou o intensíssimo curso de polaco! Digo finalmente, porque, de facto, 5 aulas por semana ao longo de 3 semanas, com um método de ensino que não lembra ao diabo, já chega!
Depois de uma primeira aula estilo "me Tarzan, you Jane" (a Prof. só falava polaco!), a informação foi-se acumulando que nem uma bola de neve, de tal modo que, neste momento, sou, teoricamente, capaz de me apresentar (saudação, dizer e perguntar nome, nacionalidade, idade, profissão e morada), contar os números até 100, chamar um taxi, comentar o tempo, dizer as horas e os dias da semana, pedir no restaurante, dar indicações na rua e falar com a senhora da mercearia sobre os kilos de batatas ou o vinho (tinto ou branco, seco ou semi-seco) que quero comprar!
Não seria muito, se estivéssemos a falar de espanhol. Mas como estamos a falar de ter de decorar frases como "Prosze isc prosto a potem skecic w prawo" e palavras como "oczywiscie" (e estou-vos a poupar os acentos sobre as consoantes e as cedilhas sobre as vogais) é, de facto, dramático!
Para agravar a coisa, acharam que não era importante explorar a gramática. Martelar os sons e apelar à memorização é que é bom (como me arrependo de nunca ter aceite aqueles panfletos de tecniche di memorizzazione que distribuíam na Via Zamboni!...). Cheguei a ter pesadelos com os números: via-me numa sala de aula a dizer a tabuada em polaco, como na primária. Conclusão, agora até sei dizer alguma coisa, mas não faço a mínima ideia onde está o sujeito, o verbo, os complementos e por aí adiante...
Ainda assim, como sou persistente, vou continuar!

Wednesday, September 19, 2007

Kreil


Tanja Kreil era uma jovem alemã que queria ir para a tropa. Mais especificamente, ela queria trabalhar no serviço de manutenção de armas do exército. Só que não a deixavam! É que na Alemanha as mulheres que seguiam a carreira militar das duas uma: ou eram enfermeiras ou pertenciam à banda musical. Em termos simplistas, assim dizia a lei.
Tânia não se deixou ficar e, por isso, foi ao Tribunal de Justiça das Comunidades dar uma lição àqueles conservadorzecos machistas!
A história serve de pretexto para estudar o princípio do primado do Direito Comunitário sobre a lei nacional.
Na aula, a dado momento, alguém (não jurista) teve a ousadia de perguntar "mas então e depois? o que é que aconteceu à Tânia?". A Prof. respondeu simplesmente "Sei lá! Isso não interessa. O que interessa é o primado, a proporcionalidade, a igualdade, o efeito directo, o que diz o artigo X e o que significa o artigo Y."
Sim, claro, no meio disto tudo a Tânia é de sumenos importância. Saber se ela conseguiu concretizar o seu sonho de infância ou se foi forçada a ter de tocar tambor para o resto da sua vida é só um pormenor!
Mas então e aquela coisa que costumam dizer? Como é? "A justiça serve as pessoas"??

Tuesday, September 18, 2007

Binas


Não, ainda não é desta que me torno numa ciclista convicta.
Digamos que não sou propriamente uma perita em bicicletas, certo?
Aquela vez, no interrail, em que tive de voltar sozinha de barco (com a bicicleta no barco!), apesar de ter exigido os travões de mão, como só as criancinhas holandesas fazem, não foi por acaso. Como não foi por acaso as 5 ou 7 vezes que me espalhei em Strasbourg nos 3 dias que lá estive, nem o pé inchado e a mão paralizada que daí resultaram.
De facto, não foi por acaso. Foi mesmo falta de jeito.
Mas desta vez tínhamos combinado dar um passeio de bicicleta pelos parques aqui em redor. Afinal estava sol e tínhamos a tarde livre - era urgente aproveitar ambos! Eu ainda não tinha experimentado as bicicletas do campus e era reconfortante saber que esta zona da cidade é plana e bem servida de ciclovias.
Ainda assim, acabei por não passar do portão.
É que estas bicicletas têm nacionalidade polaca, ou seja, suportam pessoas com 2 metros, no mínimo, excluindo, por isso, aquelas que têm uma altura mais mediana... assim, por exemplo, como eu! Digamos que nem consigo saltar para cima da bina. Não, pelo menos, sem que isso implique danos sérios em algumas partes mais sensíveis do meu corpo.
É como o Daniele disse "No bici for you for the rest of the year!".
Parece que vou ter de deixar para depois a cura do meu "ciclotrauma". Ou, então, junto-me às italianas: formamos o Comité das "Latin Women are Little (but not that much!)" e exigimos a compra de um lote de binas à nossa medida. Qualquer recusa será pura discriminação!
Pelo sim pelo não, por enquanto vou-me dedicar ao jogging...

O Big College

Hoje finalmente instalaram-nos a TV por cabo! 40 canais que atestam que a Polónia não ficou para trás no tempo.
Começei a fazer zapping. Depois de mais de 20 canais polacos e russos, fiquei contente quando me deparei com a RTP internacional! Para além de ser sempre confortável ouvir a língua materna, ao menos agora notícias como o escândalo da Casa Pia não me iam passar totalmente despercebidas (como, a dado momento, chegou a acontecer...).
Continuando com o zapping, encontrei um canal que exibia uma imagem estática de... uma sala? cadeiras cor de vinho, piano ao fundo, colunas brancas, grandes janelões, estrado com e-u-r-o-p-e-2-0-0-7 em letras garrafais??? Mas... isto é a sala A2!!?? O auditório onde temos a maior parte das nossas aulas!?
Confesso que a primeira reacção foi à dondoca: "uau, que luxo, isto é muito à frente! só no estrangeiro, mesmo!"
A segunda foi pragmática: "assim, se por acaso estiver doente, não preciso faltar às aulas, posso assistir a tudo daqui do quarto!"
A terceira foi à calona: "hum... a verdade é que nem preciso estar doente para ficar deitadinha na cama a assistir às aulas! ui, ui, quando vier a neve vai saber tão bem!"
A quarta foi à gozona: "dá para ver tudo daqui! heheh, vai ser giro, vai! ver o pessoal a tirar macacos do nariz!"
A quinta foi à cai na real: "mas, então, se eu posso ver tudo o que se passa na A2, isso significa que... toda a gente também pode ver tudo o que se passa na A2!!!"
A sexta foi previdente: "Não esquecer de não tirar macacos do nariz na sala A2!!!"
Just in case...

Monday, September 17, 2007

Fechadura

De facto, quando ouvimos línguas diferentes, há sempre aquelas palavras que nos soam de forma mais estranha, agressiva ou cómica, mesmo que o significado não o seja necessariamente. É daquelas coisas que não se consegue explicar, apenas se sente.
No meu caso, marcou-me a forma como os italianos dizem Batman. Digamos que uomo pipistrello não me transmite propriamente aquela masculinidade que associo ao heroi. Não consigo deixar de imaginá-lo a cantar o YMCA. Já o Spiderman, ou uomo ragno (sendo que ragno se lê como "ranho"), não me afecta tanto. Afinal, sempre estamos a falar de um puto que já se baba de qualquer maneira para fazer as teias, pelo que ser também ranhoso não é, de todo, despropositado.
Por enquanto, ainda não descobri a palavra polaca que me irá fazer rir durante mais de duas semanas. Mas acabei de descobrir a palavra portuguesa que faz os polacos rir a bandeiras despregadas...

Les Colporteurs e Tygmont


Uma verdadeira soirée cultural.
Primeiro, um espectáculo circense à boa maneira francesa, com equilibristas multifacetados que dançam, cantam e representam, saltando de corda em corda.
Depois, um concerto de Jazz num dos mais conceituados bares da especialidade, ou não fosse Varsóvia mundialmente conhecida como a cidade do Jazz.
O melhor disto tudo (nunca pensei dizer isto, mas) são os resquícios do comunismo: cultura grátes, camaradas!!!

Bar Rosso's


Como qualquer campus universitário que se preze, Natolin oferece-nos auditórios, salas de aulas (nos estábulos do palácio), salas de projecção de filmes e biblioteca (à antiga, com mezanine e recantos privados para estudar e não só - muito famosos entre os alunos).
Oferece-nos também lavandaria e cantina (com pequeno-almoço de hotel onde há nutella!!!).
Oferece-nos ainda ginásio, sauna, sala de bilhar, mesas de ping-pong, matraquilhos, bicicletas. Posso apenas concluir que é sinal de que vamos estudar muito e, como tal, precisamos de escapes na mesma proporção.
Isto tudo, claro, para além de estar situado no meio de uma reserva natural, estilo Sherwood Forest, onde há veados e raposas (só para citar os animais de maior porte) e onde sinto que posso protagonizar a Maria do The Sound of Music ou, pelo menos, a Heidi.
Por fim, Natolin oferece-nos o Bar Rosso's. À vista desarmada, uma simples (e quase deprimente) discoteca de hotel (com piano e tudo!). Mas depois de baptizado e decorado com um mapa da Europa, ui! totalmente diferente!!! Vê-se que houve ali uma revolução estudantil!! E protagonizada pelos portugas, claro está!, não fosse o nome homenagear o manda-chuva da Comissão - apesar dos dois "s", que supostamente evocam a maior sexshop de Amesterdão (!!??). Como é bom de ver, a proposta do nome não foi nacional, pois nesse caso teríamos o Bar Cherne's.
"Sigamos o cherne minha amiga!"

Tuesday, September 11, 2007

Mas o que é que eu andei a fazer com o meu tempo??

Lembro-me que uma das capas da Visão do mês de Agosto passado era sobre as jovens mentes brilhantes do nosso país. Se não me engano, havia uma menina de 24 anos que já tinha escrito 4 livros, traduzido umas quantas obras do Umberto Eco e ganho um prémio de literatura - para além de ter tirado o curso de Direito (claro!) e estar neste momento a fazer um masters nos Estados Unidos. Na altura comentei com a Alexandra: "Bolas! mas o que é que eu andei a fazer com o meu tempo???" Uma pessoa sente-se verdadeiramente inútil assim! Mas, pronto, nem todos podemos ser génios.
O problema é quando, de repente, posso assistir de perto e tenho de conviver diariamente com essa "genialidade". Não estranho o facto de toda a gente aqui saber falar pelo menos três ou quatro línguas - para isso não é preciso ser génio, basta gostar de aprender línguas diferentes e dedicar-lhes algum tempo (muitas vezes em prejuízo do ginásio...). Que tenham já vivido em vários países, também é compreensível - sempre estamos na era da globalização. Vá lá, que tenham já, quase todos, um masters também se pode entender, se pensarmos que só Portugal é que ainda não aplica Bolonha como deve ser.
AGORA, que saibam, para além de tudo isto, tocar instrumentos musicais, já começa a ser esquisito! Que queiram, para além de tudo isto, criar um grupo de trabalho para discutir os temas da actualidade da Bielorrúsia, é esquisito e é demais! Que esgotem, ainda, para além de tudo isto, todos os exemplares existentes na biblioteca do livro do curso de História da Construção da Europa, cujas aulas só começam daqui a três semanas, não só é esquisito e demais, como... demonstra que, de facto, eles não são génios coisa nenhuma!
E com este raciocínio já me sinto mais aliviada...

Monday, September 10, 2007

As malas

Esta coisa das viagens e dos aeroportos, da mudança associada ao desconhecido, pode ser muito romântica, mas quando alguém se esquece de passar uma malita (neste caso, 36 Kg de malas) de um avião para o outro, a visão romântica depressa se transforma num pesadelo.
Bem, para dizer a verdade, o pesadelo já tinha começado alguns dias antes, com o stress das 30001 coisas para fazer antes do dia D, entre as quais aquelas coisas normais que qualquer bom português deixa para a última hora (o passaporte que caducou há um mês!!) e outras menos normais que só acontecem aos mais "distraídos" (prender a corrente/cadeado ao portátil e, acidentalmente, alterar o código!). Mas graças ao trabalho urgente dos funcionários do Governo Civil de Lisboa e ao Hélder da Worten tudo se resolveu em dois dias! As malas, essas, é que demoraram mais tempo.
Foi perturbador. Ao mesmo tempo que me angustiava não ter as minhas coisas, confortava-me o facto de saber que se todas as minhas roupas, sapatos, produtos de higiene e tudo o mais que era meu estava perdido algures na Europa, então aí é que eu seria verdadeiramente uma cidadã do mundo (ou da Europa, pelo menos!). Foi mais ou menos o que senti quando perdi o meu guarda-chuva gay em Bologna, ao menos alguma coisa minha ficava lá para a posteridade; ou quando uma onda no Guincho me levou a toalha - eu nunca fui aos Estados Unidos, mas a minha toalha muito provavelmente sim!
Uma coisa é certa: agora sou uma expert a lavar meias e cuecas e (duas coisas são certas) toda a gente sabia que eu era aquela-que-ainda-não-tinha-as-malas-coitada! E, como dizia o outro, não interessa o que dizem de nós, desde que falem de nós... hum... Ainda assim, quando começava a falar das malas algumas pessoas mais distraídas finalmente percebiam: "ah! és tu aquela que ainda não tem as malas!". "Sim, desculpa, mas será que não reparaste que há 5 dias que ando com a mesma roupa??? Achas que é um costume português, é?? É que se tens uma memória assim tão fraca como é que achas que vais conseguir aprender polaco?" Mas essa é outra história.

Sunday, September 9, 2007

Teste, teste

jeden, dwa, trzy